Tratamento para epilepsia: conheça as opções para controlar as crises epilépticas

A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por descargas neuronais excessivas e síncronas, levando a manifestações clínicas variáveis, como alterações de consciência, contrações musculares involuntárias e sintomas sensoriais — as chamadas crises epilépticas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, ela atinge mais de 50 milhões de pessoas no mundo inteiro.

O tratamento dessa condição de saúde conta com uma grande variedade de fármacos disponíveis, além de terapias alternativas e complementares. Para entender qual deles adotar e as suas diferenças, basta continuar lendo este conteúdo.

 

Qual o tratamento mais eficaz para epilepsia?

De modo geral, quando falamos de tratamento para epilepsia, o uso de anticonvulsivantes é o que apresenta melhores resultados. No entanto, ele é apenas uma das opções disponíveis, e a qualidade de vida e o bem-estar geral do paciente podem ser beneficiados a partir de uma abordagem multidisciplinar. 

O diagnóstico de epilepsia também desempenha um papel importante para a escolha de um tratamento eficaz e adequado. Afinal, a partir do tipo de epilepsia identificada e do histórico de saúde do paciente, as abordagens mais indicadas podem variar.

Abaixo, apresentamos os principais tipos de tratamento para epilepsia. Continue lendo e confira!

 

Tratamento medicamentoso para epilepsia

O tratamento medicamentoso da epilepsia é fundamental para evitar as descargas elétricas cerebrais que acarretam as crises epilépticas, uma vez que se baseia no uso de substâncias anticonvulsivantes.

A escolha do medicamento, no entanto, depende de uma série de fatores, como tipo de crise epiléptica, idade, possível interação com outros medicamentos, perfil de efeitos colaterais, entre outros. 

Ainda assim, fármacos têm um histórico positivo no controle das crises epilépticas, permitindo que muitos pacientes tenham qualidade de vida. Um estudo com diversos especialistas brasileiros observou que a monoterapia é um consenso entre os profissionais de saúde para iniciar o cuidado, graças à sua alta taxa de sucesso.

Leia também: Como facilitar a administração de medicamentos para crianças com autismo e epilepsia

 

Terapias alternativas e complementares para controle das crises epilépticas

Além do tratamento medicamentoso, buscar terapias complementares pode contribuir para o bem-estar do paciente e a sua qualidade de vida, especialmente em casos refratários aos medicamentos tradicionais. 

Dentre as opções disponíveis, o tratamento com o canabidiol vem ganhando destaque por ser uma alternativa eficaz e com efeitos colaterais leves. Um estudo observou que o uso do canabidiol possui potencial terapêutico sobretudo no tratamento de crises convulsivas de pacientes farmacorresistentes, em geral afetados pelos efeitos colaterais das convulsões.

 

Dieta cetogênica

A dieta cetogênica é uma intervenção dietética rica em gorduras, com quantidade moderada de proteínas e baixo teor de carboidratos, utilizada como opção terapêutica para epilepsias refratárias, especialmente em crianças. 

Ela promove a produção de corpos cetônicos, que servem como fonte alternativa de energia para o cérebro, contribuindo para a redução da frequência das crises epilépticas. Além disso, pesquisas comprovam a eficácia dessa abordagem, indicando uma redução significativa nas crises. Estudos indicam que aproximadamente 50% dos pacientes apresentam redução de pelo menos 50% das crises com a dieta cetogênica, e cerca de 10 a 20% podem atingir controle total das crises. (Neal EG et al., The Lancet Neurology, 2008)

No entanto, essa dieta é bastante restritiva, de difícil adesão e pode provocar efeitos adversos, como constipação, aumento dos níveis de colesterol e formação de cálculos renais. Por isso, deve ser avaliada com cuidado e com o apoio de uma equipe médica multidisciplinar.

 

Outros tratamentos

Em casos de epilepsia refratária, ou seja, aquela cujas crises não diminuem mesmo com o uso de tratamentos medicamentosos e alternativos, podem ser considerados outros tipos de intervenção. 

Uma delas é a terapia de estimulação nervosa, em que a gravidade das crises pode ser reduzida graças a estímulos cerebrais externos, por meio de um gerador. O aparelho é implantado através de dois pequenos cortes, em um procedimento pouco invasivo e de recuperação rápida.

Outra opção é a cirurgia. Nesses casos, a cirurgia consiste na remoção de áreas específicas do cérebro identificadas como foco epiléptico em pacientes com epilepsia focal resistente a medicamentos

 

Qual o protocolo de tratamento para epilepsia?

O Ministério da Saúde estabelece uma série de recomendações para o tratamento da epilepsia. De modo geral, no entanto, estipula-se que deve ser implementada a monoterapia — isto é, o tratamento que usa apenas um fármaco anticonvulsivante. 

Em caso de falha do primeiro fármaco, recomenda-se a substituição gradual por outro, de primeira escolha. Ou seja: deve-se fazer uma nova tentativa de monoterapia. Se esta também não mostrar resultados, pode-se tentar a combinação de dois fármacos antiepilépticos.

Nos quadros de estado de mal epiléptico (EME), ou seja, quando os medicamentos não são eficazes e as crises duram por mais tempo que o considerado normal, o Ministério da Saúde recomenda um protocolo específico: primeiro, devem ser usados fármacos benzodiazepínicos (1ª linha); em segundo lugar, um agente antiepiléptico endovenoso (2ª linha); por fim, quando necessário, deve-se usar a anestesia geral (3ª linha).

Isso acontece porque as crises de EME têm mais chances de ter consequências de longo prazo, como morte neuronal, lesão neuronal e alteração de redes neuronais, dependendo do tipo e duração das crises.

 

O que fazer para evitar as crises de epilepsia?

A melhor forma de evitar as crises de epilepsia é seguir o tratamento corretamente. A interrupção do tratamento medicamentoso, sobretudo nesses casos, pode desencadear crises mais severas, a diminuição da eficácia dos fármacos e o aumento dos riscos de hospitalização.

Nesse cenário, contar com um programa de suporte a pacientes, como o Mais Alívio, é uma excelente forma de evitar complicações mais sérias. Com o nosso aplicativo, pacientes têm orientação contínua e podem contar com funcionalidades como:

  • Gerenciamento da medicação: lembretes de doses, informações sobre medicamentos e acompanhamento da adesão ao tratamento.
  • Monitoramento da saúde: acompanhamento dos sintomas e sua intensidade, além de diário de bordo para registro em ambiente seguro dos acontecimentos (crises, sintomas etc.).
  • Conteúdo informativo e confiável: artigos, vídeos e materiais educativos sobre o seu diagnóstico.
  • Programa de benefícios: desconto na compra de medicamentos e serviços de saúde, facilitando a manutenção do tratamento.

 

Baixe o aplicativo do Mais Alívio e conheça todos os benefícios de contar com um programa de suporte completo na palma da sua mão!

 

Campanha Epilepsia em Foco

O Mais Alívio criou a campanha “Epilepsia em Foco”, uma iniciativa que visa apoiar a causa, destacando a importância da solidariedade e do acesso à informação de qualidade.

Assista à aula que gravamos com a Dra. Verônica, médica neurologista, especialista em epilepsia, aborda desde os fundamentos da epilepsia e as diferentes manifestações das crises epiléticas, até orientações práticas sobre como agir diante de uma crise.