Durante um tratamento medicamentoso, não é raro que a quantidade indicada pelo profissional de saúde só seja obtida por meio de cortar o comprimido. Popularmente, acredita-se que realizar esse corte ao meio sempre garante a metade da dose do remédio — mas você sabia que isso não é verdade?
Embora essa prática seja comum para facilitar a ingestão ou ajustar a quantidade do medicamento, há diversos fatores que podem influenciar a eficácia e a segurança do tratamento quando cortamos um comprimido. A seguir, explicamos quando a prática é possível, em quais casos isso não é recomendado e qual a melhor forma de realizar essa divisão.
O que acontece ao cortar um comprimido ao meio?
A divisão inadequada de um medicamento pode ter diferentes consequências, dependendo do tipo de fármaco e do tratamento em que ele é empregado. Os principais riscos incluem:
- Distribuição desigual do princípio ativo: Alguns comprimidos não possuem uma composição uniforme, o que significa que a substância ativa pode não estar igualmente distribuída. Isso pode levar a doses inconsistentes, comprometendo o efeito terapêutico.
- Alteração na absorção do medicamento: Se um comprimido revestido for cortado, ele pode perder a proteção que garantiria sua absorção correta, podendo se dissolver antes do tempo ou ser inativado pelo ácido do estômago.
- Efeitos colaterais indesejados: Tomar uma dose incorreta pode aumentar o risco de efeitos adversos, como toxicidade ou redução da eficácia do medicamento.
- Deterioração do medicamento: Algumas substâncias podem ser sensíveis à luz ou ao ar, e cortar o comprimido pode acelerar sua degradação, reduzindo sua eficácia.
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Quais comprimidos não podem ser cortados?
Nem todos os medicamentos podem ser divididos sem comprometer sua eficácia ou segurança. Alguns comprimidos possuem características específicas, que exigem a ingestão na íntegra.
Os principais exemplos incluem:
- Comprimidos de liberação prolongada: São projetados para liberar o princípio ativo gradualmente no organismo. Ao cortá-los, o medicamento pode ser absorvido de forma inadequada, causando efeitos inesperados ou reduzindo sua duração.
- Comprimidos revestidos: Muitos medicamentos possuem um revestimento que protege o princípio ativo da acidez do estômago ou evita irritações gástricas. Cortar esse tipo de comprimido pode resultar na degradação precoce do medicamento antes que ele atinja o local de absorção adequado.
- Cápsulas gelatinosas: Essas formas farmacêuticas contêm líquidos ou grânulos específicos e não devem ser abertas ou divididas.
- Fármacos sensíveis à dosagem: Alguns medicamentos têm uma margem terapêutica estreita, o que significa que pequenas variações na dose podem comprometer sua eficácia ou causar efeitos adversos.
Quando é possível cortar um comprimido?
Em alguns casos, os comprimidos são desenvolvidos de forma homogênea. Isso significa que sua composição é distribuída de maneira uniforme, permitindo que a divisão resulte em doses equivalentes.
Geralmente, esses medicamentos possuem um sulco (linha de marcação) que indica que podem ser partidos sem comprometer sua eficácia. Alguns exemplos são:
- Comprimidos simples, sem revestimento especial;
- Fármacos que não possuem liberação controlada;
- Medicações cuja bula autoriza a divisão.
Mesmo assim, estudos apontam que, para que o corte seja seguro, é recomendável não só que o comprimido seja sulcado, mas também que apresente baixa toxicidade, janela terapêutica larga e meia‑vida relativamente longa (ou seja, que demore para que a substância ativa no corpo seja reduzida à metade). Além disso, a partição precisa ser custo‑efetiva.
Por isso, antes de cortar qualquer comprimido, é essencial consultar um profissional de saúde para garantir que essa prática não vai alterar o efeito desejado.
Como cortar um comprimido corretamente?
Nos casos em que o medicamento pode ser dividido, a forma correta de realizar esse processo é essencial para garantir uma dose adequada. Para isso:
- Use um cortador de comprimidos: Evite partir o comprimido com as mãos ou facas, pois isso pode aumentar o esfarelamento e resultar em pedaços desiguais, além de doses imprecisas. De acordo com pesquisas na área, essa é a forma mais indicada para garantir a integridade do comprimido e da dose.
- Verifique a simetria: Após a divisão, confira se as partes são semelhantes em tamanho.
- Armazene corretamente: A parte do comprimido que não será usada imediatamente deve ser armazenada em local seco e protegido da luz.
Dúvidas frequentes sobre cortar o comprimido
Todo comprimido cortado perde a eficácia?
Não. Se o medicamento puder ser dividido, a eficácia se mantém, desde que o corte seja bem feito. Para isso, a forma mais segura é usar um cortador específico.
Por que existe um traço no meio de alguns comprimidos?
Esse sulco — um tracinho no meio do medicamento — é um indicativo de que ele foi projetado para ser dividido. Ou seja: quando cortado da forma adequada, ele equivale à meia dose.
Se não houver essa marcação, a divisão pode comprometer a dose correta.
Posso triturar o comprimido se tiver dificuldades para engolir?
Em geral, não. Em muitos casos, triturar pode alterar a absorção e reduzir a eficácia. No entanto, alguns medicamentos podem ser corretamente absorvidos, mesmo depois de triturados. Para ter certeza, é melhor perguntar ao seu médico.
Ou seja: cortar comprimidos pode ser uma alternativa viável em alguns casos, mas é fundamental garantir que isso não vai afetar a eficácia do medicamento, nem trazer riscos à saúde. Por isso, sempre consulte um profissional antes de dividir qualquer medicação e utilize ferramentas adequadas para garantir a precisão da dose.
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